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ARTIGOS
 

O caminho para o emprego
20/05/08

Confira dicas de como entrar no mercado de trabalho após concluir a graduação

p> Quase meio milhão de alunos concluíram o curso de graduação ano passado no Brasil, segundo o Censo da Educação Superior. O mercado de trabalho desde então não teve crescimento, pelo menos no que diz respeito aos empregos formais. Comparando os meses de outubro de 2002 e 2003, houve um aumento na taxa de desocupação de 1,7%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ou seja, mais pessoas estão sem trabalhar.

\"Quem ficar procurando emprego vai se dar mal, porque vínculo com empresa está ficando cada vez mais raro. Mas quem procurar trabalho, sempre terá, porque ele não acaba\", afirma Maria Amalia Bernardi, sócia da consultoria Best Companies. Os números das pesquisas sobre emprego realizadas pelo IBGE confirmam a previsão de Maria Amalia.

Das pessoas que possuem ocupação, apenas 5,4% são empregadores, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do instituto. O número de empregados com carteira assinada (44,1% - 1,2% a menos que em outubro de 2002) está quase igual ao de trabalhadores sem vínculo empregatício (42,1%), considerando nesta última categoria os empregados sem carteira assinada e os trabalhadores por conta própria (inclusive profissionais liberais).
O total de trabalhadores sem registro em carteira apresentou aumento de 10,1% na comparação com o ano de 2002. E a ocupação chamada \"conta própria\" foi, segundo relatório do IBGE, a que mais absorveu mão-de-obra nos últimos meses.

\"O trabalho não está acabando, mas passa por um processo de mutação profundo\", explica o professor da área de Sociologia do Trabalho, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Ricardo Antunes. Isso acontece, segundo o pesquisador, que publicou diversos livros sobre o assunto, porque de acordo com as leis trabalhistas, o funcionário custa muito caro para a empresa. Desta forma, a carteira assinada passa a ser raridade. \"É difícil para quem se capacita conseguir um emprego formal. Quem não tem boa formação, então, não tem a mínima chance\", completa.

Um ponto que o mercado parece forçar é o empreendedorismo. \"As pessoas podem até nascer com esse talento, mas acredito que é possível aprender a ser um empreendedor. Para isso tem que suar a camisa, olhar o trabalho de outros e estar disposto a absorver experiências novas todos os dias. Se não tem emprego, que tenha idéias, venda seus projetos. Isso é ser empreendedor\", afirma Maria Amália.

Para não desanimar

\"Eu não acho que essas mudanças sejam motivo de desânimo para os jovens que estão se formando agora, pois sempre existe carência de bons profissionais. O que se exige é que as pessoas busquem mais e mais enriquecer o currículo, fazer cursos constantemente e aprender idiomas. Estagiar durante o curso é obrigatório. Mudar de empresa a cada seis meses com certeza renderá muito conhecimento e uma boa bagagem para depois de formado\", afirma Maria Amália.

O engenheiro Michel Aguirre Smid concluiu sua graduação no final de 2002 na Unesp Guaratinguetá. Quando enviou seu currículo para a empresa de Engenharia e Construção Odebrecht, ele já tinha a formação em uma respeitada universidade pública do país, a experiência de ter morado um ano na Alemanha onde estagiou na área, outro estágio em uma empresa no litoral do estado de São Paulo, fluência em inglês e alemão, além do básico em espanhol.

O que ouviu na entrevista de admissão foi que as qualificações dele preenchiam exatamente o desejo da empresa. \"Me disseram que o perfil era exato, só faltava saber se eu teria disponibilidade para me mudar de cidade ou de estado a qualquer momento. Eu disse que sim e três meses depois de ter enviado meu currículo para o RH, fui chamado para uma obra\", conta Michel que, graças às suas qualificações, não passou nem mesmo pelo programa de trainee.

Outra experiência positiva é a de Viviane Gonçalves Ramos, graduanda do curso de Ciências Contábeis da Faculdade São Luís. Apesar da dificuldade de arrumar estágio na área, Viviane não desistiu. Ficou durante um ano tentando uma oportunidade, até que conseguiu, através do CIEE (Centro de Integração Empresa Escola), uma vaga na empresa onde está há sete meses, a Linx Sistemas. E já recebeu a boa notícia de que será efetivada, agora que concluirá a graduação.

\"É muito difícil conseguir emprego, porque sempre parece estar faltando alguma coisa para preencher os requisitos desejados. As empresas pedem demais e a remuneração é de menos. Por isso sei que foi uma oportunidade única conseguir o estágio e poder mostrar meu trabalho\", afirma a estudante.

Confira no quadro abaixo o que pode ser diferencial no seu currículo na hora de arrumar um emprego:
·  Inglês fluente é obrigatório. Outras línguas é que farão a diferença
·  Estágios - quanto mais, melhor
·  Inscrever-se nos programas de trainee é uma boa oportunidade para entrar na empresa
·  Ter morado no exterior pode ser uma experiência a ser levada em conta pelos setores de RH. \"É visto como um sinal de que o jovem teve que se virar sozinho\", diz Maria Amalia
·  Cursos de especialização e pós-graduação devem estar encaminhados ou nos planos
·  Demonstrar disponibilidade de horários e de mudança de cidade ou até mesmo de país

·  Profissionais liberais precisam ser ainda mais criativos e pensar em maneiras originais ainda durante o curso para atrair clientes depois da conclusão da graduação

Autor: Renata Costa


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