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ARTIGOS
 

A capacidade de aprender dentro da empresa
21/07/08

Este artigo é uma seqüência de outro texto de minha autoria intitulado \"A Capacidade de Aprender\", também veiculado no RH.com.br, cujo foco é analisar como a empresa poderá estimular a aprendizagem e a preparação de seus funcionários, sob o ponto de vista gerencial.

Muito ainda será falado sobre a postura da empresa para com seus funcionários ou colaboradores, salientando a importância da cultura organizacional no processo de aprendizagem das pessoas. No entanto, pouco adianta uma organização investir em funcionários criativos, capacitados, inovadores e dinâmicos se a postura da empresa - notadamente do seu corpo diretor - barrar ou inibir as ações desses funcionários brilhantes. Há empresas que fazem isso sem perceber, pois os tomadores de decisões e até outros funcionários estão \"aculturados\" ao modelo e ao padrão da empresa que, muitas vezes, são voltados para o lado conservador. Esse texto está voltado para mostrar como o nível gerencial de uma empresa pode influenciar e estimular a capacidade de aprender de seus funcionários.

Como todo grande projeto ou idéia colocada em prática numa empresa, tudo o que se faz pensando em ganho de produtividade e em cooperação deve ter total comprometimento e empenho da alta administração. Muitas vezes, isso requer uma mudança de postura das pessoas que comandam uma organização, implicando em alterações na forma de conduzir os trabalhos e em como lidar com as pessoas, ou seja, na cultura organizacional. Tudo isso, gera resistências e o medo do novo que deverão ser superados para que tudo possa ser feito sem maiores problemas ou obstáculos. Isso não é fácil, pois podemos salientar que os próprios gerentes e os diretores de uma empresa devem ter a capacidade de aprender e de enfrentar desafios e mudanças.

Primeiramente, deve-se saber em qual função ou área o funcionário tem maiores chances de desenvolver suas habilidades e capacidades, gerando até uma motivação para ele. Pode parecer algo simples, mas muitas empresas empregam pessoas em áreas que não são de sua preferência ou de sua capacitação, fazendo com que esses funcionários façam trabalhos para o qual não foram contratados. Dar oportunidade para os colaboradores atuarem em áreas, setores ou funções diferentes faz com que todos possam conhecer mais seu local de trabalho. Eles podem aprender e até repassar essa aprendizagem para outros, colaborando, realizando ou fazendo aquilo que gostam.

Saber ouvir e respeitar as opiniões de colegas é um passo importante para a cooperação, pois temos a chance de aprender mais sobre eles. Se inibirmos as pessoas e as suas idéias, podemos perder a oportunidade de fazer com que a empresa conquiste mercados, aumente as vendas e vença seus desafios, atingindo objetivos. Além disso, quem for inibido ficará desencorajado para participar das decisões da empresa e do seu dia-a-dia, preocupando-se apenas com o \"seu trabalho\". Não podemos esquecer que, em muitos casos, as pessoas do nível chamado \"chão de fábrica\" ou baixo escalão já deram idéias e sugestões que mudaram conceitos e fizeram empresas reverterem situações aparentemente perdidas.

Oferecer treinamento, desenvolvimento e oportunidade é também fundamental. Tudo isso, também, possui o objetivo de incorporar e facilitar a aceitação ou a adaptação de uma pessoa na empresa, especialmente se ela for recém-chegada. Além da pessoa aprender uma nova função, ela ficará ainda mais motivada para trabalhar, gerando sinergia, cooperação e bom relacionamento com seus colegas. Existem vários profissionais (psicólogos, por exemplo) e empresas especializadas em liderança e motivação que podem colaborar para que isso aconteça. Como focamos o nível gerencial, é bom lebrarmos que existem especializações, MBAs e mestrados profissionais que podem ser oferecidos e pagos pelas empresas.

Por falar em valorização, para obter comprometimento é fundamental que os objetivos e a missão da empresa sejam divulgados e esclarecidos junto aos funcionários. Se fizermos algumas perguntas simples do tipo: \"O que a empresa espera de mim?\", \"Qual a minha real função dentro da empresa e junto ao seu planejamento estratégico?\", \"Onde eu colaboro para a empresa crescer?\", entre outras, e conseguirmos responder, ótimo. Isso mostrará que sabemos muitas coisas sobre a organização onde atuamos, que temos motivação para trabalhar e aprender, pois saberemos aonde estamos, quem somos e até onde poderemos ir com a empresa. Contudo, creio que a maioria dos profissionais não conseguem responder essas perguntas.

O processo de comunicação na empresa também é fundamental em todos os casos anteriormente comentados, pois as falhas na comunicação ou a existência de um sistema de informação ruim geram atrasos, dúvidas, conflitos desnecessários, desmotivação e atrapalham todo o andamento organizacional, inclusive a aprendizagem. Este processo deve contar com uma comunicação eficiente e clara, a fim de fazer com que as mensagens sejam compreendidas, ouvidas e passadas de forma rápida, evitando-se repetições. As pessoas aprendem mais fácil quando há entendimento e quando todos falam a \"mesma língua\". Não é verdade?

Realizar reuniões de participação ou de \"tempestade de idéias\" (conhecidas como reuniões de brainstorming), dinâmicas de grupo e outras atividades é importante para que possamos conhecer mais as pessoas e saber como poderemos ajudá-las. Dessa forma, teremos a oportunidade de identificar aspectos como motivações, realizações, felicidades, anseios, medos, preocupações, angústias, ansiedades e aborrecimentos. Tudo isso, é um levantamento de sentimentos que, muitas vezes, não são manifestados no dia-a-dia de trabalho. Porém, esses sentimentos impactam positivamente ou negativamente nos resultados de uma empresa e no processo de aprendizagem, podendo até \"minar\" a capacidade da pessoa em aprender ou a sua própria criatividade e idéias, caso sejam sentimentos negativos.

A empresa deve ter uma cultura baseada em suas conquistas e em seus feitos históricos. Mas, que esses sirvam de exemplos para mostrar como a organização fez para alcançar seus feitos, contundo sem ficar \"revivendo o passado\", ostentando conquistas já atingidas. Deve-se buscar mais, é preciso ter uma ambição positiva para almejar algo melhor, fazendo tudo o que for possível - dentro da ética e da legalidade.

O que foi realizado no passado pode não servir para o hoje ou para o futuro. A empresa deve utilizar métodos arrojados e inovadores, ou seja, precisa aprender e progredir sempre para vencer cada vez mais, combatendo-se aquela antiga idéia que muitas empresas familiares ainda têm: \"o que meu avô fez, deu certo. Meu pai fez igual e também deu certo. Eu vou fazer do mesmo jeito. Por que mudar?\". Esse pensamento do \"se está dando certo assim, por que eu vou mudar?\" deve ser evitado ou revisto, pois a empresa deve sempre buscar alternativas melhores para conseguir maior eficiência. Mas como foi dito antes, isso é difícil.

Não podemos jamais esquecer que tudo isso só pode ser feito através das pessoas - principais elementos de uma empresa. E essas, por sua vez, devem ter preparação, entrosamento e capacidade para realizar. Deve-se ter sempre um clima ou ambiente motivacional positivo e aberto às novidades, caso contrário poderá não funcionar.

Vale salientar que o papel do setor de Recursos Humanos é fundamental em todo o processo de aprendizagem organizacional, criando e estimulando políticas e ações que visem enfrentar problemas pessoais e de relacionamento. Sempre devemos lembrar que os supervisores de uma empresa - sejam eles gerentes de qualquer nível, diretores ou executivos - são os espelhos, os exemplos e os guias para seus subordinados. São eles que representam a empresa e o seu ideal (sua cultura). Assim, se queremos que nossos colegas trabalhem com plena capacidade e disposição, antecipando mudanças, enfrentando desafios com capacidade, criatividade e confiança, devemos servir de exemplo para que eles nos guiem, enfrentando muitas vezes nossos medos, resistências e até nossas crenças. Pensem nisso!

Autor: Demétrio Luiz Pedro Bom Júnior


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