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ARTIGOS
 

Criando os gestores do futuro
08/09/08

Mudança do cenário econômico nacional obriga jovens a absorverem cada vez mais rápido a cultura do empreendedorismo

Estimular o empreendedorismo entre universitários e executivos não é novidade nenhuma para quem lida com o ramo dos negócios. No entanto, de olho nos empresários do futuro, algumas instituições já passam a voltar sua atenção para adolescentes em fase pré-universitária e até mesmo crianças. O objetivo é incentivar, desde cedo, o desejo de desenvolverem seus próprios empreendimentos, incentivando assim a construção de uma mentalidade diferente, a busca pela gestão de sucesso e não apenas por um emprego bem sucedido.

Isto porque, segundo especialistas, esta tende a ser uma das principais mudanças que irá atingir o mercado de trabalho nos próximos anos. \"Cada vez mais afunilado e competitivo, em busca de mão de obra especializada e qualificada, o mercado acabará restringindo a empregabilidade\", conta o analista da área de Educação e Desenvolvimento da Cultura Empreendedora do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo), Marcelo Duarte.

O Brasil já está trabalhando sob uma nova ordem econômica. Especialistas afirmam que, até 2.010, haverá uma pressão demográfica sobre o mercado de trabalho que exigirá a criação de 1,5 milhão de postos por ano, apenas para absorver as pessoas que nele ingressam. Isto significa que, em números, o PIB (Produto Interno Bruto) precisa crescer, pelo menos 5% ao ano.

No entanto, os jovens ainda não se mostram preparados para assumir papéis de risco no mercado de trabalho e, no futuro, isso será cobrado de maneira mais intensa do que é feito atualmente. \"Em meados das décadas de 70 e 80, havia grande oferta de emprego e não era necessário ter um alto nível de instrução. Hoje, o cenário é outro. O jovem precisa, sobretudo, ser ágil e flexível para driblar dificuldades e criar oportunidades\", revela.

Pensando nisso, diversas instituições têm desenvolvido programas para estimular o empreendedorismo em jovens ainda em fase pré-universitária. O Sebrae-SP, por exemplo, com foco nos jovens do Ensino Médio, que ainda não ingressaram na universidade, trabalha com o projeto \"Formação de Jovens Empreendedores\", em parceria com a rede pública de ensino do Estado de São Paulo. A idéia é que, ainda nesta etapa da vida, os jovens passem a conviver com o pensamento e o espírito empreendedor no ambiente escolar. (Clique aqui e conheça o programa Formação de Jovens Empreendedores do Sebrae).

O Grupo Peraltas, de iniciativa privada, também desenvolve um programa para estimular o empreendedorismo em jovens. Seu programa é denominado \"Projeto Crescer Teen\" que visa auxiliar os jovens a buscarem sucesso profissional e autoconfiança. Pensando em preparar líderes do futuro, o projeto idealizado por Paulo Alvarenga, especialista em programas de liderança, estimula uma vivência entre jovens de 12 e 17 anos com foco no empreendedorismo. (Clique aqui e saiba mais sobre o Projeto Crescer Teen).

Idade x percepção do mercado de trabalho

Desta forma, você pode se perguntar: \" estimular o empreendedorismo nesta idade funciona?\". Para Duarte, não só funciona como pode ser uma das alternativas para melhorar a questão de emprego e trabalho no futuro. \"Os universitários e executivos de hoje têm muito mais dificuldade em assimilar o empreendedorismo do que jovens que estão em idade escolar\", afirma.

Para ele, quanto mais jovem o indivíduo obtiver contato com o estímulo ao empreendedorismo mais ele estará propenso a desenvolver esta característica no futuro. \"É na escola que os alunos começam a despertar os primeiros interesses pelo mercado de trabalho. É lá que ele irá decidir se quer ingressar na área de Exatas, Humanas ou Biológicas\", explica. Frente a isso, ele questiona: \"Por que não incentivar que além de seguir carreira em das áreas que for de seu maior interesse, ele não pense em ser um gerador de empregos e um gestor de suas atividades?\".

Segundo o professor da disciplina de Empreendedorismo do IBMEC São Paulo, Álvaro Armond, estimular o jovem desde cedo auxilia em uma mudança de comportamento no futuro. \"O empreendedorismo não é simplesmente uma opção de carreira, mas sim um jeito diferente de encarar a vida. Por conta disso, é extremamente adequado que se comece a tratar do tema o mais cedo possível\", destaca.

No entanto, o empreendedorismo não deve ser visto como uma solução milagrosa. \"Obviamente criar um negócio não é a única solução, nem a panacéia universal, até porque depende de uma série de comportamentos, aspirações pessoais, formação e preparo de quem vai empreender\", diz. Ele acrescenta ainda que este tipo de visão generalista é muito prejudicial, sendo a principal responsável pelo alto índice de mortalidade de empresas no Brasil. Índice que, na maior parte das vezes, está diretamente ligado à falta de capacidade gerencial.

Para o professor, é importante destacar que, embora estejamos vivendo uma mudança radical em que o emprego está diminuindo, isso não diminui as condições das pessoas conseguirem um trabalho, e aí as diferenças vão muito além da semântica. O trabalho existirá para quem tem capacidade e criatividade de se adequar às mais diferentes situações e ainda assim atender às expectivas que o mercado exige, uma perspectiva bem diferente da atual. \"Neste caso, com uma visão empreendedora, desde cedo, os jovens poderão enxergar o mercado e a relação com o trabalho de forma mais flexível, estando mais aptos para encontrar soluções na sua vida profissional\", encerra.

Autor: Lilian Burgardt


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